17 junho 2006

ÒGÚN – SENHOR DOS CAMINHOS


ÒGÚN – SENHOR DOS CAMINHOS
QUANDO ELEDÙMARÈ (DEUS) DETERMINOU AOS ÒRISÀ QUE FOSSEM CRIAR A TERRA (ÀIYÉ), COUBE A ÒGÚN INDICAR A ELES O CAMINHO QUE LEVARIA AO LOCAL ONDE SERIA REALIZADA A GRANDE OBRA DA CRIAÇÃO. ASSIM, ÒGÚN, FILHO DE ODÙDÚWÀ, TORNOU-SE O ÒRISÀ OLÓÒNÒN – SENHOR DOS CAMINHOS -, AQUELE QUE ABRE, OU FECHA, O BOM ANDAMENTO DAS TRILHAS QUE O HOMEM TEM QUE SEGUIR EM SUAS CAMINHADAS NA VIDA. É ele o guerreiro desbravador, que vai traçando rotas e aumentando o terreno conhecido pertencente à seu Reino. É o grande conselheiro do homem na hora de buscar um novo rumo para as decisões que a vida propõe. Portanto, é associado a luta e as conquistas da vida. Nunca ficava parado no Palácio de seu Pai, sempre a procura do que fazer, acabava envolvendo-se com todas as mulheres do Reino, e brigando com seus namorados. Quando gerava uma imagem desmoralizante, era então enviado a expandir o território do reino submetendo-se à seu Pai, nunca interessado no poder daquilo que havia conquistado. É O ÒRISÁ QUE FAZ JUSTIÇA, NÃO COMO O IMPARCIAL SÒNGÒ, QUE É A JUSTIÇA CEGA, COMO O JUIZ DAS LEIS DOS HOMENS, MAS É AQUELE QUE FAZ A JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS, SEGUNDO SEU PRÓPRIO JULGAMENTO. PORTANTO, AOS AMIGOS TUDO, AOS INIMIGOS, A SUA IRA IMPLACÁVEL.
Em todos os òrò/ rezas restritas aos iniciados e Siré/ festejos públicos cabe à ele ser o segundo Òrisà a ser louvado e evocado logo após Èsù. Como o Òrò de Èsù deve ser feito em local e horário separado, Ògún passa a ser o primeiro a ser louvado na Segunda etapa da Liturgia dos Òrisà, seja em qual Nação do povo Yorubá.
ÒGÙN É ONIRÉ/REI DA CIDADE DE IRÉ. PELAS SUAS VITÓRIAS COMO VALENTE GUERREIRO, CONQUISTADOR DE TERRAS, A QUEM CABIA AMPLIAR E VIGIAR AS FRONTEIRAS DE SEU REINO, RECEBEU A HONRARIA DE PODER USAR O ÀKÒRÓ/COROA, TORNANDO-SE ASSIM ALÀÁKÒRÓ/SENHOR DONO DA COROA QUE NÃO COBRE O ROSTO. MAS ELE NUNCA SE PRENDEU A RIQUEZAS, PARA ELE SER, OU NÃO SER, POUCO IMPORTAVA. IMPORTAVA SIM, CONQUISTAR. ESTAR A FRENTE DA BATALHA, SER O COMANDANTE DO EXÉRCITO, CHOCAR-SE DE FRENTE COM O INIMIGO É O QUE FAZ AFLORAR SUA ENERGIA. Como militar pode ser visto como o patrono da Infantaria.
Conta um Ìtòn/lenda que ògún ao conquistar Iré, deixou um de seus filhos como governador daquela cidade. Depois de longo tempo e de grandes vitórias em batalhas, Ògún retornou a Iré. Extremamente vaidoso, ògún enraivou-se ao entrar na Cidade e não ser ovacionado pela sua presença. Ocorre que por motivos religiosos, aquele era um dia em que todos se abstinham da palavra, mantendo silêncio rigoroso. Inicia ele então a demonstração de sua ira. Com a espada sai cortando a cabeça de quem se colocasse à sua frente, matando inúmeros cidadãos. Neste ponto surge seu filho que aplaca a sua explosão e o informa da comemoração importante daquele dia. Ògún é assolado por uma crise de arrependimento, então toma sua espada, e em rodopios, como uma broca, cava um buraco no chão onde entra e nunca mais é visto.
É Ògún o Òrisà vencedor das batalhas e demandas (feitiços maléficos). POR SER O GUARDIÃO DAS FRONTEIRAS, ALGUNS INICIADOS DIVULGAM QUE ELE É ONÍBODÈ ÒRUN/SENHOR DAS FRONTEIRAS DO CÉU, CERTAMENTE POR DESCONHECEREM A EXISTÊNCIA DE ÒNIBODÉ/SENHOR DA PORTA – PORTEIRO DO CÉU, OUTRO ÒRISÀ COM FUNÇÕES ESPECÍFICAS que trataremos posteriormente. ÒGÚN VESTE-SE COM MÒRIWÒ/FOLHAS NOVAS DE PALMEIRA (IGI ÒPÈ) DESFIADAS – este é o motivo pelo qual se vê nos Ilé Òrisà/Casas de Santo folhas de palmeira desfiadas e colocadas sobre as portas e janelas, que simbolizam o pedido à Ògún que não deixe nada de ruim entrar por estas passagens, que seja ele o Senhor daquela fronteira.COMO ALGUNS ÍTÒN/LENDAS CONTAM QUE ÒGÚN HAVIA SIDO FERREIRO, ELE É TIDO COMO O SENHOR DOS METAIS, RECEBENDO O TÍTULO DE OLÓÒBE/SENHOR DA FACA, ALÁÀDA MÉJI/SENHOR DAS DUAS ESPADAS, OU ÀLÁÀBÈDÈ/SENHOR DA FORJA – FERREIRO, assim em todo o ritual, principalmente os de sacrifícios onde o obé/faca for utilizada há de se pedir a permissão de Ògún para usá-la. Mas como já afirmamos que Òrisà são elementos da Natureza, ÒGÚN É, DENTRE O REINO MINERAL, A REPRESENTAÇÃO VIVA DE TODOS OS METAIS (IRIN) DE UM MODO GERAL, DETENDO PARA SI TODO O PODER QUE ESTES ELEMENTOS TEM NA ORDEM DO PROGRESSO DA HUMANIDADE. NOTE A IMPORTÂNCIA DE ÒGÚN (DOS METAIS) NA VIDA DO HOMEM, E SE ENTENDERÁ A IMPORTÂNCIA DESTE ÒRISÀ NA VISÃO YORUBÁ.
Diga sempre estas frases para Ògún, pois O agrada muito, e principal, ELAS SÃO A PURA EXPRESSÃO DA VERDADE:
BI OMODÉ BÁ DA ILÈ, KÍ O MÁ SE DA ÒGÚN
Uma pessoa pode traír tudo na Terra, Só não deve traír Ògún.

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